NBR 10004

O Brasil inicia um novo capítulo na gestão de resíduos sólidos com a publicação da ABNT NBR 10004 de 2024, que substitui a versão anterior de 2004. Mais do que uma atualização normativa, trata-se de um marco estratégico que coloca o país em sintonia com as melhores práticas internacionais, fortalece sua posição na agenda global de sustentabilidade e abre novas oportunidades para empresas e instituições.

A norma redefine a forma como os resíduos são classificados e tratados, trazendo um maior alinhamento com práticas internacionais, bem como incentivando a economia circular e ampliando a proteção ambiental e à saúde pública.

Algumas das principais mudanças na Norma são relacionadas a seguir:

  • Classificação simplificada: Os resíduos passam a ser divididos em apenas duas categorias – Perigosos e Não Perigosos – em alinhamento com o GHS (Globally Harmonized System). Assim, não há mais as subclasses dos resíduos não perigosos (II-A não inertes e II-B inertes). Esta mudança aproxima o Brasil das práticas internacionais.
  • Critérios ampliados de periculosidade: Além da toxicidade, a norma considera Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs) e outras propriedades químicas relevantes.
  • A nova Norma é estruturada em duas partes:
  • ABNT NBR 10004-1:2024 – requisitos de classificação, sendo orientado o processo para classificação dos resíduos.
  • ABNT NBR 10004-2:2024 – Sistema Geral de Classificação de Resíduos (SGCR), com anexos e fluxogramas técnicos para enquadramento de cada tipologia de resíduo.
  • Lista Geral de Resíduos (LGR): Introdução de um fluxo de quatro etapas para classificação, facilitando a identificação direta de resíduos perigosos ou não perigosos.
  • Reconhecimento de subprodutos: Determinados materiais deixam de ser considerados resíduos e passam a ser tratados como subprodutos, conforme a ABNT NBR 17100:2023, fortalecendo a economia circular. Entenda mais sobre economia circular aqui.

Quais são os impactos para as Empresas?

A atualização da norma não é apenas uma obrigação regulatória, mas uma oportunidade estratégica para diversos pontos, conforme abaixo:

  • Revisão dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). As empresas precisarão revisar seus PGRS para adequar a nova classificação de resíduos e garantir coerência entre geração, armazenamento, transporte e destinação final.
  • Atualização das Fichas de Dados de Segurança de Resíduos (FDSRs) e dos rótulos com pictogramas do GHS. As FDSRs e rótulos precisarão ser reformulados para refletir os novos critérios de periculosidade, símbolos e frases de risco. Isso melhora a comunicação de risco ao longo da cadeia produtiva e reforça a segurança ocupacional e o compliance regulatório.
  • Redução de riscos ambientais e jurídicos, com maior clareza na classificação. A nova norma traz maior clareza e rastreabilidade no processo de classificação, reduzindo falhas interpretativas que poderiam levar a autuações ou destinações incorretas. Essa uniformização facilita auditorias e comprovações de conformidade junto a órgãos ambientais e parceiros.
  • Fortalecimento das práticas ESG, ampliando a competitividade em mercados cada vez mais exigentes. A aderência à NBR 10004:2024 se alinha diretamente aos pilares ESG, especialmente nos indicadores E (Environmental) e G (Governance), ao reforçar transparência, controle e rastreabilidade. Isso aumenta a credibilidade da empresa perante investidores, clientes e certificações internacionais.
  • Incentivo à inovação: Empresas podem transformar resíduos em insumos, reduzindo custos e criando novos modelos de negócio. A norma estimula a reclassificação de materiais como subprodutos, conforme a NBR 17100:2023, abrindo caminho para modelos de reaproveitamento e coprocessamento. Essa visão estratégica permite reduzir custos, gerar valor a partir de resíduos e consolidar negócios com foco em circularidade e sustentabilidade.

Benefícios para a Sociedade

Além de um alinhamento as práticas globais a nova norma traz também benefícios para a sociedade, como:

  • Proteção ambiental ampliada: Com critérios mais rigorosos e precisos de classificação, a norma permite melhor controle sobre resíduos perigosos e reduz riscos de contaminação do solo e da água.
  • Saúde pública fortalecida: A correta identificação e manuseio de resíduos perigosos minimizam a exposição da população a substâncias tóxicas, promovendo ambientes urbanos e industriais mais seguros.
  • Avanço na economia circular: A valorização de subprodutos e o incentivo ao reaproveitamento de materiais reduzem a geração de resíduos e a pressão sobre recursos naturais.
  • Protagonismo internacional: O alinhamento da norma ao GHS e às melhores práticas internacionais posiciona o Brasil como referência em políticas de gestão sustentável, facilitando inclusive comércio exterior e parcerias globais.

Desafios de Implementação da NBR 10004

Apesar dos avanços, a transição exige diversos pontos de atenção de vários participantes da cadeia dos resíduos para que a implementação ocorra da melhor forma.

  • Capacitação técnica de profissionais e gestores ambientais. Gestores e consultores ambientais precisarão ser capacitados para aplicar corretamente a nova metodologia, interpretar fluxogramas da LGR e adequar sistemas corporativos de gestão.
  • Investimentos em infraestrutura para adequação dos processos. Adequações podem exigir novos sistemas de gestão de resíduos, revisões de inventários, e laboratórios ou parcerias técnicas capazes de atender aos novos parâmetros analíticos.
  • Integração com políticas públicas e fiscalização eficiente. A efetividade da norma depende de fiscalização estruturada e sinergia entre órgãos ambientais, setor produtivo e municípios, garantindo padronização e efetividade.
  • Engajamento das empresas para transformar a norma em vantagem competitiva, e não apenas em obrigação. O maior desafio é mudar a percepção empresarial, transformando a norma em ferramenta de competitividade e não apenas em exigência. As empresas que anteciparem a adequação sairãona frente, especialmente nos setores com forte impacto ambiental.

Conclusão: um novo olhar para os resíduos com a NBR 10004

A nova NBR 10004 marca uma virada histórica na gestão de resíduos sólidos no Brasil. Ao revisar a classificação e alinhar-se ao padrão global, bem como reconhecer o potencial de reaproveitamento de materiais, a norma fortalece a economia circular e abre caminho para práticas empresariais mais responsáveis e inovadoras.

Para empresas, é uma oportunidade de consolidar estratégias ESG e conquistar vantagem competitiva. Para a sociedade, representa avanços concretos na proteção ambiental e na saúde pública. O Brasil consolida sua trajetória em direção a um futuro sustentável, alinhado às demandas globais. Na Raízcon, estamos preparados para guiar empresas na aplicação prática da nova NBR 10004:2024, com foco em gestão responsável de resíduos, redução de riscos e integração às estratégias ESG.

Não deixe de compartilhar!

Christiane Baptista

Especialista em Due Diligences Ambientais focadas em processos de M&As e Diagnósticos Ambientais e de Saúde e Segurança para diversos setores.
Atualmente, atua como Gerente Comercial e Novos Negócios da RAÍZCON, agregando sua experiência e visão estratégica de negócios em soluções aos clientes e captação de novos negócios.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *